quinta-feira, 11 de novembro de 2010



OLHANDO BEM, ISSO NÃO É AMOR

NÃO SE QUER ABRAÇAR, NEM BEIJAR, NEM DEITAR

NÃO SE QUER

NÃO SE SENTE PRAZER OU DESEJO OU REPULSA

NÃO, NÃO SE SENTE

É A SENSAÇÃO DA PERDA DE UM VÍNCULO COM O QUE TE LIGA AO MUNDO, UM MUNDO

DE UM SÓ

É ESTREMECER SÓ DE LER AS PALAVRAS DURAS,

OU BUSCAR ENTRE TODOS OS TEXTOS ALGUMA PALAVRA DOCE

LEMBRANÇA

OU MENÇÃO QUE NÃO SEJA ESPINHOSA

TITUBEAR ENTRE CRER OU NÃO

E NÃO CRER

NÃO DÓI

NEM MAGOA

SIMPLESMENTE ACELERA O CORAÇÃO, ROUBA UM POUCO DO AR, FAZ PENSAR...

MAS NÃO,NÃO É AMOR.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010



Uma vez a velha que se arrastava pela calçada me falou

És tu, cigana, unha vermelha, que rodopia a saia

De ventre fértil, boca carnuda, lasciva e de olhos

De gozar eterno.

És tu, Padilha, Gira, Louca

a gritar, dançar, gargalhar e seduzir

Tu choras e sorris ao mesmo tempo

Facadas e beijos, facadas e beijos

Tens golpeado por aí

És tu, teu fim e teu meio

De viver e morrer.

Sim , sim , um dia ela veio e me falou...

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Mas sou, e talvez sempre serei, o da mansarda,Ainda que não more nela;Serei sempre o que não nasceu para isso;Serei sempre só o que tinha qualidades;Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,E ouviu a voz de Deus num poço tapado.Crer em mim? Não, nem em nada.

terça-feira, 2 de novembro de 2010


E a vida se encarregou de me encher de presentes
Amores que estrondam chão e terra
Desejos maiores de alma e de corpo
Tragédias passadas, livros que li
Momentos eternos gravados na pele
Lágrimas doces, barriga crescendo,amor sem limite
O bico, o instinto, o mostrar a língua
Um som,ruído que arrepia , gemido
As vidas que são minhas e de mais ninguém
Um imã escarlate que pulsa e que vibra
Uma imensidade de sensações intensas como a luz
E tudo no seu tempo, o maduro do pé
Sou ainda uma semente, muito ainda a vida há de me dar
Um amor, que não me veio quem sabe...Mas eu sei, há de chegar

Ela tem cara de menina
Chora quando vê um outro filho que não é o seu chorar
O coração dela bate forte e acelera
Toda vez que ela chega perto de quem ama
Ela cativa
Se faz cativa
Se entrega
Aos prazeres
As dores
Sem recuar
E é medrosa
Desconfiada
Ri alto, gargalha
Com o que não se deve gargalhar
Ela bate o pé, histérica, louca
Treme, geme, promete
Mas não sabe amar
Ahh, ela intimida, se ofende, e é rude
Com quem faz por merecer
Mas não se iluda, ela não é boba
Não há quem ela já não tenha enganado, por segundos ou anos
Só pra ter o prazer
De saber que ninguém além dela, sabe o que ela faz
E tudo o que ela ainda deseja profanamente fazer